sábado, 24 de outubro de 2009

Entenda a crise do crédito – confira os efeitos no Brasil

Por: Terra

Confira os principais acontecimentos da crise econômica, que começou com os empréstimos de risco nos Estados Unidos.

A Bolha do crédito

Um período de forte disponibilidade de recursos (liquidez) no mercado internacional gerou um esgotamento de clientes no segmento de financiamento imobiliário e hipotecas nos Estados Unidos. Com recursos sobrando e poucos consumidores com bom histórico de pagamentos disponíveis, os bancos passaram a emprestar dinheiro nestas modalidades a pessoas que tinham menos garantias

Os primeiros problemas

Os problemas para as instituições financeiras começaram no início de 2007, quando foram divulgadas as primeiras perdas com este tipo de negócio, frente às dificuldades para recuperar os empréstimos concedidos. Em março daquele ano, a associação de bancos hipotecários dos EUA apontou que a inadimplência no setor alcançou seu ponto mais alto em sete anos. Outro dado divulgado mostrou que os preços de imóveis no país registravam sua primeira queda anual desde 1996.

Além dos problemas nas instituições financeiras, a crise chegou às bolsas de valores já que estes mesmos bancos vendiam papéis atrelados aos ganhos com os empréstimos imobiliários. Com medo de perdas, houve uma corrida para resgatar o dinheiro aplicado nestes fundos e, conseqüentemente, uma preocupação se os bancos teriam condição de honrar os compromissos com os investidores em fuga.

Outro setor afetado pela crise foi o do ramo de seguros. Além das apólices imobiliárias, as seguradoras também protegiam os contratos de alto risco dos bancos de investimento no subprime, que perderam o valor e estão no foco da crise financeira.

Sucessão de quebras

Os primeiros reflexos nos bancos do agravamento da inadimplência no subprime começaram a ser vistos em abril de 2007, quando a New Century Financial, a maior empresa independente de crédito imobiliário subprime dos EUA, entrou com pedido de proteção contra falência e demitiu metade de seus funcionários. Em meados de março, a companhia já tinha parado de conceder financiamentos, abalada pelo aumento da inadimplência.

O repasse das dívidas da New Century para outras instituições financeiras começou a gerar um efeito cascata no setor. Ainda no mês de abril, o Citigroup anunciou perdas de US$ 5 bilhões no primeiro trimestre de 2007 e, em julho, o Bear Stearns decretou a falência de dois de seus fundos de investimento.

Em agosto, o banco francês PNB Paribas disse a seus investidores que eles não conseguiriam resgatar seus investimentos, devido à "completa evaporação da liquidez" do mercado, em um sinal claro de que os bancos estavam recusando-se a emprestar dinheiro uns aos outros. No mesmo mês, o American Home Mortgage, décimo maior banco hipotecário dos Estados Unidos, também declara moratória.

O banco britânico Northern Rock pediu e recebeu ajuda financeira emergencial do banco central. No dia seguinte, os correntistas retiraram cerca de US$ 2 bilhões, em uma das maiores fugas de capital da Grã-Bretanha.

No último mês de 2007, o presidente americano, George W. Bush, anunciou um plano para ajudar 1,2 milhão de pessoas com dificuldade hipotecárias. O Federal Reserve (FED, o banco central dos EUA) coordenou uma ação com outros cinco bancos centrais para enfrentar o problema de falta de dinheiro nos mercados.

A passagem do ano só fez com que os problemas na crise aumentassem. Fevereiro (2008) começou com a nacionalização, por parte do governo britânico, do banco Northern Rock. Em 17 de março de 2008, após forte queda de suas ações, o americano Bear Stearns, quinto maior banco dos EUA, foi vendido ao JP Morgan por US$ 236 milhões. Um ano antes da compra, o valor de mercado do Bear era de US$ 18 bilhões. A operação só foi concretizada após o FED ter aceitado financiar US$ 30 bilhões de ativos de menor liquidez da instituição com problemas.

Em busca de capital, o banco britânico Royal Bank of Scotland (RBS) anunciou o plano para levantar dinheiro junto aos acionistas, lançando novas ações no mercado, que chegaram ao valor 12 bilhões de libras (mais de R$ 41 bilhões), o maior lançamento de ações da história corporativa da Grã-Bretanha. Em ações similares, o UBS, um dos mais afetados pela crise financeira mundial, também lançou ações no valor de US$ 15,5 bilhões para cobrir parte de suas perdas, que chegaram a US$ 37 bilhões, e o Barclays também anunciou planos para levantar 4,5 bilhões de libras (cerca de R$ 15,4 bilhões) com lançamento de ações.

Em julho, o IndyMac Bancorp sofreu intervenção por parte de autoridades americanas. O banco viria a pedir proteção à lei de falências apenas três semanas depois. Em agosto, o HSBC alertou que as condições dos mercados financeiros são as mais difíceis "das últimas décadas", depois de sofrer uma queda de 28% em seus lucros semestrais.

No mês de setembro, o governo americano assumiu o controle das gigantes de financiamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac que, juntas, detinham quase metade dos US$ 112 trilhões em dívidas com hipotecas no país.

No mesmo mês, outras três grandes instituições financeiras envolvidas na crise de crédito tiveram destinos distintos. Depois da falha na busca por um comprador, o Lehman Brothers - 4º maior banco de investimento dos EUA - pediu concordata, afetado por perdas acumuladas de US$ 7,8 bilhões e uma carteira de ativos que ainda contava com US$ 54 bilhões em investimentos atrelados ao mercado imobiliário com risco potencial de difícil avaliação.

No mesmo dia, o Merrill Lynch, um dos principais bancos de investimento americanos, concordou em ser comprado pelo Bank of America por US$ 50 bilhões para evitar prejuízos maiores.

Um dia depois, a seguradora American International Group (AIG) recebeu um empréstimo de US$ 85 bilhões do governo americano para evitar um possível pedido de falência, após perdas de US$ 18,5 bilhões em três trimestres consecutivos. A empresa foi afetada por ter muitas apólices que protegiam bancos de perdas com investimentos de alto risco.

O banco Washington Mutual - maior de poupança e empréstimos nos EUA - também foi fechado pelo governo, na maior falência de um banco na história do país. Os ativos bancários da instituição foram vendidos ao JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão. Segundo o órgão que fechou o Mutual, o banco tinha US$ 188,3 bilhões em depósitos e foi descrito como uma instituição de US$ 307 bilhões.

Ainda no mês de setembro, o FED aprovou a transformação dos dois últimos grandes bancos de investimento do país – o Goldman Sachs e o Morgan Stanley – em instituições comerciais

Setembro também marcou o alastramento da crise pelo setor bancário europeu com a nacionalização parcial do grupo belga Fortis, para garantir sua sobrevivência. Autoridades na Holanda, Bélgica e Luxemburgo aceitaram investir 11,2 bilhões de euros na operação.

Na Grã-Bretanha, o governo confirmou a nacionalização do banco de hipotecas Bradford & Bingley. O governo assumiu o controle de financiamentos e empréstimos do banco no valor de 50 bilhões de libras (cerca de R$ 171 bilhões) enquanto suas operações de poupança e agências foram vendidas para o Santander, da Espanha. Já o governo da Islândia assumiu o controle do terceiro maior banco do país, Glitnir, depois que a companhia teve problemas com fundos de curto-prazo.

Outro banco atingido fortemente pela crise, o americano Wachovia, teve sua compra pelo Wells Fargo referendada pelo FED, após uma disputa que também envolveu como possível comprador o Citigroup.

EUA lançam pacote de US$ 700 bilhões

Diante do aumento das perdas e a quebra de mais bancos, o governo americano resolveu elaborar, em setembro de 2008, um plano de ajuda às instituições financeiras. O pacote, delineado pelo Tesouro americano, foi destinado inicialmente para a compra de títulos podres ligados ao subprime, como forma de recuperar o seu valor e estabilizar os mercados.

No dia 28 de setembro, os líderes do Congresso dos EUA e da Casa Branca fecharam o acordo para a votação do plano, inicialmente na Câmara de Representantes (Deputados) e, dois dias depois, no Senado.

No dia seguinte, a câmara baixa do Congresso americano rejeitou o pacote, com extrema desaprovação entre os membros do partido Republicano - mesmo do presidente George W. Bush. Na esteira da rejeição, a Bolsa de Nova York caiu 6,98% e sofreu a, até então, maior queda em pontos de sua história.

Em meio a apelos diários do presidente americano, o Senado americano vota o plano de US$ 700 bilhões, mas com algumas modificações, como isenções fiscais, aumento das garantias de depósitos bancários particulares e a limitação nas remunerações de executivos de bancos beneficiados pelo pacote. O projeto aprovado na casa tinha cerca de 400 páginas, contra 100 páginas do original que foi rejeitado pelos representantes dois dias antes.

As medidas seriam mais tarde, no dia 3 de outubro (2008), referendadas pela Câmara de Representantes e sancionadas no mesmo dia pelo presidente americano.

Apesar de celebrado, o pacote não gera estabilidade nas bolsas de valores e requer medidas adicionais. Como parte da liberdade para destinar os recursos conforme a situação exigisse, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou, na esteira de países europeus, que US$ 250 bilhões dos US$ 700 bilhões seriam usados pelo governo americano para recapitalizar os bancos do país - medida que foi aceita de início por nove grandes instituições financeiras dos EUA.

A reação européia

Vendo a situação nos mercados mundiais piorarem, na esteira de uma sucessão de quebras de bancos, em setembro (2008), e do efeito quase nulo do pacote dos Estados Unidos sobre as bolsas de valores, os países europeus começaram a trabalhar em medidas mais efetivas contra a crise financeira.

Inicialmente, foram tomadas medidas isoladas por alguns países, como a garantia ilimitada de todos os depósitos, papéis e dívidas dos bancos da Irlanda, concedida em 30 de setembro pelo governo do país.

A atitude irlandesa colocou outros países europeus sob pressão, pois a extensão das garantias aos depósitos particulares poderia gerar um efeito dominó, visto que na União Européia (UE) a circulação de capital é livre e as pessoas poderiam simplesmente retirar seu dinheiro e depositá-lo em países com as maiores garantias, complicando ainda mais a liquidez dos já combalidos bancos do continente.

O caráter integrado da economia e do sistema financeiro, conjugado com a ausência de uma autoridade comum, levou os países do bloco a manifestaram a intenção de tomar medidas em comum para amenizar a turbulência.

Depois da Irlanda, o Reino Unido anunciou, no dia 8 de outubro 92008), um plano de 50 bilhões de libras para recapitalizar os bancos do país.

Sob pressão do efeito abaixo da expectativa do pacote americano e reunidos em Paris, no dia 12 de outubro, os líderes dos 15 países que adotam o euro como moeda decidiram, além de garantir os empréstimos interbancários, recapitalizar os bancos do continente e assegurar que nenhuma instituição financeira quebrasse.

Além disso, eles acordaram que os países do bloco deveriam estender suas garantias para depósitos particulares a pelo menos 50 mil euros, ressaltando que alguns países garantiriam até 100 mil euros.

Ao longo da semana seguinte, Alemanha (500 bilhões de euros) e França (360 bilhões de euros), além de outros membros da UE, anunciaram planos para estabilizar seus mercados financeiros.

Os efeitos no Brasil

O agravamento da crise de crédito no exterior começou a ter reflexos nas economias emergentes, que antes eram tidas como "blindadas" contra a crise. No Brasil, em 24 de setembro, o Banco Central (BC) tomou sua primeira medida. A autoridade monetária brasileira adiou a implementação de um recolhimento compulsório, a ser feito em títulos federais, sobre leasing.

No começo de outubro, em face de uma retração mais severa de crédito, o BC decidiu flexibilizar a regra do recolhimento compulsório para depósitos bancários a prazo - apontada pelos bancos como justificativa para o spread bancário (diferença entre os juros de captação do dinheiro pelo banco e os que são cobrados a empresas e pessoas físicas). Na época, a medida foi apontada como capaz de irrigar a economia com até R$ 23,5 bilhões.

Dias mais tarde, o Banco Central modificou novamente as regras, autorizando as instituições financeiras a abater do volume do compulsório o valor das carteiras de crédito que venham a adquirir de outros bancos pequenos e médios (com patrimônio de referência de até R$ 2,5 bilhões).

Em face de uma queda de 15% no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em 6 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião Conselho Político da Coalizão (que reúne sua base de apoio no Congresso Nacional), decidiu editar uma medida provisória permitindo ao Banco Central comprar a carteira de crédito de bancos pequenos.

A medida serviria para evitar que as instituições financeiras, caso ocorressem problemas de liquidez, tenham de vender suas carteiras e preços irrisórios e assim evitar quebras como as vistas nos Estados Unidos.

No dia 13 de outubro, o BC editou nova circular, pré-disponibilizando de forma integral os recursos referentes a alguns recolhimentos compulsórios de depósitos bancários. A medida, com impacto potencial de R$ 100 bilhões, ficou condicionada às necessidades do mercado.

No dia seguinte, a autoridade monetária reduziu a alíquota do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 42% - ação com impacto estimado de R$ 3,6 bilhões.

Além dos reflexos na concessão de crédito, o agravamento da crise financeira também trouxe turbulência na cotação do dólar ante o real. A moeda americana teve alta de cerca de 50% em relação à brasileira no espaço de dois meses (agosto, setembro e começo de outubro).

A escassez de dólares no mercado forçou uma atuação do BC, que passou a vender moeda das reservas internacionais, contratos futuros e com compromisso de recompra para tentar estancar a alta da divisa ante o real.

Bolsas registram perdas históricas

A venda de papéis atrelados ao mercado subprime, por parte dos bancos, como opções de investimento, trouxe pânico às bolsas de valores pelo mundo após o colapso deste segmento imobiliário, ocorrido principalmente nos Estados Unidos.

O agravamento da crise levou o Dow Jones, principal índice da bolsa de Nova York, a acumular perdas de cerca de 30% em 2008, além de quebrar dois recordes históricos: maior queda em pontos para um só dia (777,68 em 29 de setembro) e maior queda percentual desde o crash de 1987 (7,87% em 14 de outubro).

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu a euforia com a conquista do investimento grade, por parte do País, no meio do ano. De seu pico, em 20 de maio, aos 73.516 pontos, o índice perdeu 50,49% até o fechamento do dia 17 de outubro, aos 36.399 pontos.

O vai-e-vem das expectativas, levadas pelos anúncios de pacotes de resgate do sistema financeiro pelo mundo, levou a bolsa brasileira a ter uma alta de 14,66%, em 13 de outubro, a cair 11,39% dois dias depois.

A pressão foi sentida em outros mercados, como o de Tóquio – também fortemente ligado a empresas exportadoras, onde a bolsa teve, em 8 de outubro, uma queda de 9,38% - a segunda maior da história. Na semana seguinte, em 16 de outubro, a bolsa japonesa voltou a tombar e a queda de 11,4% passou a ser a segunda maior do índice.

A crise financeira também teve reflexos na cotação do preço do petróleo, que, em 2008, tinha batido uma série de recordes históricos, chegando ao patamar de US$ 140. Com os temores de redução na demanda pela commodity, o barril passou a ser negociado próximo do patamar dos US$ 70 por barril, metade do pico de 2008.

Biocombustíveis podem agravar aquecimento

Por: Terra

Nos últimos anos, os biocombustíveis foram apontados como a melhor alternativa ao petróleo para reduzir, a curto prazo, a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. De acordo com os entusiastas dessas formas de energia, o cultivo de plantas usadas na produção dos biocombustíveis, como a cana-de-açúcar e o milho, absorve CO2 e teria uma participação menor no aquecimento global.

Um novo estudo mostra que essa teoria, que durante muito tempo foi usada para vender as vantagens do etanol e do biodiesel, pode estar equivocada. Reportagem publicada na revista inglesa Economist revelou que cientistas do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), associação que reúne pesquisadores de todo o mundo, levantaram dúvidas sobre os verdadeiros impactos da produção e queima de biocombustível no aquecimento global.

O Conselho conclui que a produção de biocombustíveis pode, na verdade, agravar o problema. O relatório cita conclusões de uma controversa pesquisa realizada em 2007 por Paul Crutzen, pesquisador do Instituto Max Planck de Química, localizado em Mainz, na Alemanha. Na época, ele concluiu que o papel de um gás emitido no processo de produção dos biocombustíveis foi subestimado na conta do aquecimento global. Segundo o pesquisador, o óxido nitroso (N2O) liberado por culturas agrícolas usadas na produção de biocombustíveis anula as vantagens oferecidas pela redução das emissões de CO2.


De acordo com pesquisadores brasileiros, a produção de biocombustíveis no País é bastante natural, usando técnicas de plantio sem grande impacto ambiental

Embora a presença de N2O na atmosfera da Terra não seja comum, ele é o mais potente causador do efeito estufa - ainda mais do que o CO2. Segundo as pesquisas, a capacidade de aquecer o planeta do N2O ao longo de um século é quase 300 vezes maior do que uma quantidade equivalente de CO2.

O N2O é produzido por bactérias que vivem no solo e na água e, hoje, é usado na fabricação de adubos. Desde a década de 1960, o montante de fertilizantes utilizados pelos agricultores aumentou seis vezes e nem todo o nitrogênio é absorvido em suas culturas. O milho, uma das principais fontes de biocombustíveis, é descrito por especialistas como uma planta "escape de nitrogênio" porque tem raízes profundas e absorve nitrogênio por apenas alguns meses do ano. Isso o torna um grande contribuinte para as emissões globais de N2O.

Relatório não avaliaria resultado total das emissões

Para pesquisadores brasileiros, os resultados dessa pesquisa são parciais e atendem aos interesses dos países que querem manter o monopólio do petróleo na produção de combustíveis. Segundo o Professor Ennio Peres da Silva, Chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, que estuda energias alternativas aos combustíveis fósseis, "se considerarmos toda a cadeia produtiva do petróleo, do poço ao posto, a emissão de gases causadores do efeito estufa é muito maior do que a da cadeia produtiva dos biocombustíveis".

O professor lembra que o Brasil tem grupos de pesquisa especializados em impacto ambiental das novas formas de energia, que realizam análises considerando todas as variáveis do processo produtivo e de queima dos combustíveis para avaliar os danos ambientais causados. "Ninguém vai convencer a cientistas e pesquisadores sérios especializados no assunto que, do ponto de vista ambiental, o petróleo é melhor que os biocombustíveis", afirma.

De acordo com os resultados dessas pesquisas, no processo de produção dos combustíveis fósseis existe uma grande quantidade de gases causadores do efeito estufa que são emitidos desde a extração - levando em conta a evaporação causada pelo derramamento no solo e oceanos - passando pela planta de produção, até o consumo dos combustíveis que libera grande quantidade de gases como o CO2 e o metano - gás considerado 21 vezes mais nocivo do que o CO2. O gás metano não está presente na produção nem na queima dos biocombustíveis.

O CO2 está presente na cadeia de produção e consumo dos biocombustíveis porém, neste caso, o composto é devolvido à atmosfera na mesma quantidade que é absorvido pelas plantas que servem de matéria-prima. Já o dióxido de carbono resultante da produção e consumo de combustíveis fósseis é retirado do solo e lançado à atmosfera, aumentando a quantidade total de gases causadores do efeito estufa.

Biocombustíveis podem agravar aquecimento

Emissões de N2O

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Brasil, resultados de estudos indicam que até 30% da necessidade de nitrogênio na cana-de-açúcar pode ser fornecida por um processo conhecido como fixação biológica de nitrogênio (FBN), com tecnologia desenvolvida pela própria Embrapa e que reduz a aplicação de fertilizante nitrogenado mineral, que produz o N2O. Pesquisas em andamento buscam aumentar para 50% (ou mais) a participação da FBN no fornecimento de nitrogênio para a cana-de-açúcar.

A Embrapa explica que o nitrogênio é um nutriente essencial para todas as culturas - tanto para a produção de alimentos como de produtos como os bicombustíveis - exceto para aquelas que podem usar a FBN. Todas as culturas que necessitam do nitrogênio poderiam causar, portanto, o impacto ambiental previsto na pesquisa apresentada pela Economist. com.

"O controle que se pode ter é no manejo da adubação com a aplicação de doses corretas, em épocas apropriadas, de tal forma a suprir a demanda na necessidade da planta, evitando-se sobras do nitrogênio no solo. Trata-se de utilizar as chamadas Boas Práticas Agrícolas, como fazemos no Brasil", afirma Esdras Sundfeld, Chefe de Pesquisas da Embrapa Agroenergia.

Esdras Sundfeld afirma que, no caso do biodiesel, atualmente, a matéria prima mais utilizada é o óleo vegetal de soja. "No Brasil, toda a demanda de nitrogênio para cultivo da soja é atendida pela FBN e, portanto, não se usa fertilizante nitrogenado na cultura de soja", diz.

Na mesma linha, Ennio Peres da Silva ressalta que a produção de biocombustíveis no Brasil é bastante natural, usando técnicas de plantio sem grande impacto ambiental. "Nós sabemos de longa data que nossa produção de matérias-primas para os biocombustíveis - como a cana-de-açúcar - emprega processos soft (se comparados à produção em outros países como os Estados Unidos). Os nossos processos tem baixíssimo impacto ambiental".

De acordo com os pesquisadores, os resultados favoráveis ao biocombustível se mantém em grande escala, se for considerada uma produção nos moldes da que é realizada no Brasil. As culturas de milho e canola - utilizadas como matérias-primas para biocombustíveis nos Estados Unidos e países da Europa, respectivamente - produzem menos por hectare em relação à cana-de-açúcar ou à soja que são utilizadas no Brasil e demandam mais insumos agrícolas como fertilizantes com nitrogênio, que produzem o N2O.

Novas tecnologias em biocobustíveis

Mesmo com os resultados favoráveis, os pesquisadores do Brasil - e do mundo - têm consciência quanto a possíveis problemas como as emissões de N2O. Assim sendo, novos estudos buscam tecnologias que mantenham o biocombustível como uma das fontes de energia renovável com melhor resultado no que diz respeito às emissões de gases causadores do efeito estufa.

Entre as alternativas que a ciência já aponta, está a produção de etanol a partir da celulose, utilizando o bagaço resultante da produção de papel que hoje é queimado.

O professor Ennio Peres da Silva afirma que a produção de etanol com celulose ainda não é realizada em grande escala por sua inviabilidade econômica. Porém, com o desenvolvimento de tecnologias de produção, esta é uma alternativa iminente.

Outra alternativa que já está em desenvolvimento por uma empresa britânica é a produção de etanol a partir de lixo biodegradável. Segundo a empresa química Ineos Bio, esta produção será possível em escala industrial dentro de dois anos.

Além das novas possibilidades, a Embrapa busca aumentar o rendimento de biocombustíveis por hectare nas matérias-primas já utilizadas, realizando estudos com variedades de plantas como a cana-de-açúcar. Além disso, novos sistemas de produção mais eficientes estão em desenvolvimento pela Empresa.

Real é moeda mais valorizada em 5 anos

Por: Terra

O real é a moeda que mais se valorizou nos últimos cinco anos, de acordo com estudo do economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira. Nesse período, a valorização acumulada do real frente ao dólar chega a quase 30% (já foi de mais de 60% no período acumulado da “bolha de Wall Street”, entre janeiro de 2005 e julho de 2008).

De janeiro de 2005 e junho de 2009, o real se valorizou 28,5%, informa Pereira. No mesmo período, o yuan, moeda chinesa, teve uma valorização de 17,6% ante o dólar. O iene, moeda japonesa, valorizou-se 7,0%, o euro, 5,3%, e o peso chileno, 2%. Já o peso argentino e o peso mexicano se desvalorizaram em relação à moeda norte-americana: 26,0% e 18,2%, respectivamente.

De acordo com o economista, parte desse processo de forte valorização é decorrência de o País haver recuperado credibilidade no mercado internacional, aumentando a capacidade de atrair capital estrangeiro, e ter diminuído sua vulnerabilidade macroeconômica, reduzindo o déficit fiscal e o endividamento relativo, com melhora do perfil da dívida mobiliária.

"Parte do processo é consequência, porém, de um descasamento das políticas monetária e fiscal. Como consequência, houve um ganho excessivo de valor por parte da moeda brasileira, o que, por conseqüência, encarece as exportações
brasileiras", observou o economista da RC.

"Estando a taxa internacional de juros próxima a zero e o risco-Brasil abaixo dos 300 pontos-base, o Brasil pode, calculadamente, praticar uma taxa nominal de juros próxima a 9,0% ao ano, sem qualquer ameaça à estabilidade de preços.

A apreciação da taxa de câmbio, com desaceleração econômica, dá maior espaço para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central não economize em cortes da taxa Selic. O ideal, portanto, seria um corte em 100 pontos-base", conclui Pereira.

O que é gripe A (H1N1)?

Por: Texto adaptado de clicRBS
O que é gripe A (H1N1)?

É uma doença aguda respiratória altamente contagiosa entre seres humanos, que leva a um quadro de infecção respiratória. Embora ainda não esteja comprovado, acredita-se que o vírus tenha vindo de uma série de mutações originadas em porcos.

Com o aumento dos casos da gripe A (H1N1) no RS, devo usar máscara?

Não há necessidade. Até então, os pacientes contraem o vírus em outros países, e não há contaminação conhecida entre a população gaúcha. Os equipamentos de produção individual, com máscaras, devem ser utilizados por pessoas com suspeita de contaminação (que apresentam sintomas ou estiveram em países afetados ou em contato com viajantes provenientes destes locais e pelos profissionais envolvidos no seu atendimento ou inspeção dos meios de transporte.

Tenho sintomas de gripe. Como posso saber se é um caso de gripe A (H1N1)?

Apenas se houver febre alta repentina (maior que 38 graus centigrados) e tosse, podendo estar acompanhas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, e dificuldade respiratória. Além disso, o doente deve ter apresentado esses sintomas até 10 dias após sair de países que reportam casos da influenza A ou ter entrado em contato próximo com uma pessoa suspeita de infecção (como alguém que esteve em uma região afetada e apresentou os sintomas até 10 dias depois.

Se suspeitar da gripe A (H1N1), devo procurar um posto de saúde ou um dos hospitais de referência?

Procure a unidade de saúde mais próxima, onde será examinado. Se houver suspeita de contaminação pela gripe A (H1N1), com base na análise clínica e na investigação sobre a possibilidade de exposição ao vírus, poderá ser encaminhado a um hospital de referência. Dependendo da gravidade dos sintomas, o paciente pode ser mantido em casa, bob monitoramento.

Há tratamento para influenza A (H1N1) disponível?

Sim. Há um medicamento antiviral indicado pela OMS e disponível na rede pública de saúde que será usado apenas por recomendação médica, a partir de um protocolo definido pelo Ministério da Saúde. O remédio sói faz efeito se for tomado até 48 horas a partir do início dos sintomas.

Devo tomar algum remédio preventivamente, mesmo sem sintomas?

Ninguém deve tomar medicamento sem indicação médica. A automedicação pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico e até causar resistência ao vírus.

Devo cancelar a viagem para a Argentina ou o Chile?

Segundo a Secretária Estadual da Saúde, não há recomendação oficial de evitar viagens aos países sul-americanos. Como a taxa de natalidade da doença é modesta, mesmo em comparação a uma gripe comum (cerca de 0,45%), e a proporção de casos ainda é pequena em relação ao total da população, o governo não orienta a suspender viagens.

Nas regiões afetadas, o que posso fazer para reduzir as chances de contaminação?

Use mascaras cirúrgicas descartáveis durante a permanência na área de risco. Ao tossir ou respirar, cubra o nariz e a boco com um lenço, preferencialmente descartável. Evite lugares com aglomeração de pessoas e contato direto com pessoas doentes. Não compartilhe alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal e evite tocar olhos, nariz ou boca. Lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar. Fique atento, ainda, às medidas preventivas recomendadas pelas autoridades locais das áreas afetadas.

Com a aproximação dos meses de inverno e a temperatura caindo, há maior risco de disseminação da gripe A (h1N1) no estado?

Sim. O risco de disseminação do vírus aumento com o frio, como o de qualquer outra gripe. È importante que todos procurem se alimentar bem, dormir bem, usar agasalho para se proteger do frio e evitar ambientes fechados com grande aglomeração de pessoas.

Existe vacina contra a gripe A (H1N1)?

Até o momento, não. Está em estudo a elaboração de uma vacina eficaz.

Qual o estado de saúde de quem foi contaminado pela doença?

A maior parte dos casos confirmados em diversos países com descrição de sintomas apresenta quadro clínico leve ou moderado com resposta favorável ao tratamento específico, quando indicado, ou às medidas de suporte clínico. Existe uma maior frequência de casos mais graves entre pessoas com doenças crônicas preexistentes.

Alguém já morreu no Brasil devido à pandemia?

Até o momento, não.

Se eu tomar a vacina contra a gripe comum, ela vai aumentar minhas defesas contra o vírus da influenza A (H1N1)?

Ninguém deve tomar medicamento sem indicação médica. A automedicação pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico e até causar resistência ao vírus.

É seguro comer carne de porco e alimentos como presunto, patê suíno, salame, salsicha e bacon?

Sim. Não existe de transmissão da gripe - que inicialmente foi chamada de suína – por ingestão de alimentos adequadamentes preparados. O vírus H1N1, responsável pela epidemia, não resiste ao cozimento em temperaturas superiores a 70ºC, como se recomenda para a preparação de carne de porco e outras carnes. Também não há nem um tipo de risco em comer alimentos como presunto, patê, salsicha e bacon, entre outros.

Quem viaja para países onde existem casos confirmados ou suspeitos recebe máscaras?

Segundo a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pessoas que vão para locais afetados pela doença são orientadas a levar a máscara. A compra tem de ser feita pelo próprio viajante. Não há distribuição gratuita.

Em quanto tempo, a partir da transmissão, os sintomas aparecem?

Os sintomas podem iniciar no período de 3 a 7 dias após contato com esse novo subtipo do vírus e a transmissão ocorre principalmente em locais fechados.

Por que a gripe mata?

A pessoa pode morrer do próprio vírus, mas a morte pode ser causada por infecções bacterianas secundárias, que surgem porque o organismo fica debilitado com a gripe. É o caso da pneumonia, que pode levar a uma insuficiência respiratória.

O que é pandemia?

Pandemia significa uma epidemia em grandes proporções, envolvendo diversos países e continentes de forma simultânea, e acometendo um grande grupo de pessoas. No último século, ocorreram três grandes pandemias: Gripe espanhola (1918) Gripe Asiática (1957) e Gripe Hong Kong (1968), que tiveram um grande impacto na mortalidade, principalmente de crianças e de adultos jovens, além de graves danos socioeconômicos.

Como será recebido o cidadão que procurar a rede privada de saúde?

A pessoa que apresentar sintomas relacionados à influenza A (H1N1) e tiver tido contato com paciente com caso confirmado deve procurar uma unidade de saúde mais próxima, seja ela pública ou privada. No local, o profissional de saúde que o atender terá condições de fazer uma avaliação e, se considerar pertinente, encaminhar a pessoa para um hospital de preferência público definido pela Secretária estadual de Saúde, no qual o paciente terá acesso a exames e ao tratamento, o que inclui medicamentos.

Como posso obter mais informações sobre a doença?

O disque saúde (0800 61 1997) presta esclarecimentos sobre a doença causada pelo vírus A (H1N1). Cerca de 4,3 milhões de panfletos trilíngue (português inglês e espanhol) estão sendo distribuídos com as principais informações para viajantes em todos os aeroportos do país. O site do Ministério da Saúde também disponibiliza informações sobre a doença.